Foto: Vinicius Becker (Diário)
A retomada do Carnaval de Rua de Santa Maria após 11 anos reuniu cerca de 18 mil pessoas na Avenida Liberdade, na noite de sábado (28), e foi avaliada de forma positiva tanto pela prefeitura quanto pela Liga das Escolas de Samba de Santa Maria (Liessma). Apesar do clima de celebração, a entidade destacou o esforço das escolas para viabilizar o desfile e apontou a necessidade de ajustes para as próximas edições.
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O prefeito Rodrigo Decimo (PSD) classificou o evento como um “acerto” e ressaltou a participação do público como indicativo da demanda reprimida pela festa.
– A avaliação é super positiva. A presença do público confirma que a cidade estava esperando o Carnaval. Foi algo muito bonito, um calor humano que estava guardado no coração da população – afirmou.
Segundo ele, além do impacto cultural, o evento também movimentou a economia local.
– As escolas movimentam costureiros, comércio, praça de alimentação, bares. Recebemos informações de que toda a cidade teve um movimento diferenciado no fim de semana – disse.
Decimo também destacou que a prefeitura já projeta a próxima edição, com mais estrutura e possibilidade de tornar o desfile competitivo.
– Já começamos a planejar 2027, com mais antecedência, buscando recursos para melhorar a infraestrutura e apoiar ainda mais as escolas. A intenção é ter um Carnaval competitivo – afirmou.
De acordo com o prefeito, o evento contou com apoio público indireto, como estrutura de segurança e organização, além de recursos provenientes de emendas parlamentares. O vereador Sérgio Cechin (PP) destinou R$ 20 mil por meio de emenda impositiva, valor utilizado na contratação de gradis e banheiros químicos para a estrutura do evento.
Sobre críticas de que o Carnaval desviaria recursos de outras áreas, Decimo afirmou que não houve investimento direto do caixa do município.
– Não teve injeção direta de recursos públicos, mas tivemos a participação com estrutura, como guarda municipal, agentes de trânsito e servidores – explicou.
Questionado sobre o motivo de o Carnaval não ter sido retomado em anos anteriores, mesmo com sua participação no governo passado, o prefeito afirmou que o tema ganhou força apenas recentemente, a partir de 2024, durante o período eleitoral.
– Esse projeto começou a surgir com mais intensidade em 2024, com uma mobilização maior das escolas de samba e da liga. A partir dali, firmamos o compromisso de retomar essa grande festa – disse.
Decimo também destacou mudanças na organização das entidades carnavalescas, como a reestruturação da liga, e defendeu que o evento depende da articulação entre poder público, escolas de samba e iniciativa privada.
Por fim, o prefeito comparou o público registrado em Santa Maria com o de outras cidades para destacar o potencial da festa.
– Tivemos cerca de 18 mil pessoas. Recebi a informação de que em Canoas, em um Carnaval fora de época, foram cerca de 2,5 mil pessoas. Isso mostra o potencial que temos – afirmou, ao mencionar também a possibilidade de atrair visitantes da região e fortalecer o turismo local.
Esforço das escolas e planejamento
Pela Liessma, o presidente Serginho Marques também avaliou a retomada como positiva, especialmente pela adesão do público, mas ressaltou os desafios enfrentados para colocar o Carnaval na rua.
– A quantidade de gente foi a maior resposta de quanto Santa Maria estava sedenta pelo Carnaval. Foi uma linda retomada, com as escolas unidas e felizes na avenida – disse.
Segundo ele, a organização ocorreu em um curto período de tempo, o que exigiu esforço intenso das comunidades.
– Começamos a planejar no fim de janeiro. Foi menos de um mês, e muitas escolas adquiriram dívidas para estar na avenida. Foi muito do suor das comunidades – relatou.
Marques afirmou que o evento serviu como um “teste” e que a Liga já prepara uma avaliação interna para corrigir falhas e estruturar melhor a próxima edição.
– Nesta semana, teremos uma reunião para avaliar os pontos positivos e negativos e iniciar o planejamento estratégico para 2027 – explicou.
Sobre a possibilidade de um Carnaval competitivo já no próximo ano, o presidente ponderou que a decisão ainda será analisada.
– Precisamos estruturar bem um regulamento. Talvez ainda seja o momento de fortalecer o desfile antes de partir para uma competição – disse.
No meio do desfile de sábado, houve um imprevisto. A mangueira de freio do caminhão de som, que percorria a avenida ao lado da bateria e dos puxadores de samba, acabou se soltando e o líquido vazou. O desfile ficou interrompido por quase uma hora até providenciar o conserto. Para reduzir o risco de um acidente, o caminhão foi conectado por um cabo a uma caminhonete, que andava atrás e ajudaria a frear em caso de uma eventual nova falha.
Próximos passos
Tanto a prefeitura quanto a Liessma indicaram que o planejamento para 2027 começa nos próximos dias, com foco na captação de recursos, melhoria da estrutura e fortalecimento das escolas.
A retomada do Carnaval de Rua marca o retorno de uma das principais manifestações culturais da cidade, que não era realizada há mais de uma década.
A avaliação positiva ocorre apesar de um episódio de uma suposta agressão que teria sido registrado durante o desfile. Em nota de repúdio divulgada nesta segunda-feira (30), a Liessma afirmou que o presidente da entidade, Serginho Marques, teria sido agredido por um assessor municipal. Em entrevista, Marques disse que sofreu agressões físicas ao questionar a presença do ex-prefeito no evento. A prefeitura foi procurada para comentar o caso.
Confiras as entrevistas completas
Rodrigo Decimo
Serginho Marques